A coisa toda demorou muito, não só porque os caras desceriam de rapel do prédio, fazendo a pixação "ao vivo", mas também porque as pessoas são enroladas e confusas. Fiquei muito tempo por lá, confraternizando com os pixadores.
A coisa toda, que eu acho que vale a pena contar pra vocês, é que a instalação muito queria discutir a questão do pixo como arte e se a arte da rua deveria entrar nas galerias. Os pixadores são contra (por isso o "engodo"). Mas fiquei conversando com pessoas sensacionais que vêem o pixo como expressão de arte legítima e enxergam a cidade como uma grande galeria. Até a caligrafia dizem que tem mil inspirações, desde os logos das bandas de rock como AC-DC até os alfabetos rúnicos. Viagens à parte, o pixo tá em voga. Conheci um figura, o choque, que vem seguindo o pixo pelos últimos 3 anos e tira altas fotos dos ataques dos caras "espancando na tinta".
A coisa toda é bem agressiva, com certeza. Mas é arte? Fui caçar coisas pra ler, menos sobre a bienal que perdeu o foco e já foi largamente discutida nessa lista, e mais sobre o ataque à Choque Cultural. Num blog francês que da a notícia do ataque à Choque Cultural, discute-se largamente sobre o pixo, e as opiniões vão desde "pixo é neo-nazismo" até "prende todos os pixadores e toca fogo", com direito ainda aos donos a Choque Cultural choramingando e falando dos artistas velhinhos que foram prejudicados.

foto por http://www.flickr.com/photos/eltono/
